Benedita, Benedita, Benedita... Ele tinha o nome dela pendurado na língua. Baloiçava como se fosse uma ligeira agitação das ondas do mar. Derretia-se como se fosse um cubo de açúcar. Benedita é nome de betinha da Foz. Menina rica que cheira a flores. E combina o sutiã com as cuequinhas. E com a cor das unhas.

Sim, as Beneditas têm a vida toda planeada. Mas esta Benedita não era dessas. Não era rica. Não fazia planos. Era destemida. Quando falava, fazia-o com convicção. Tinha o sotaque de quem vem de lá do Marão: simples e honesto. Quando Benedita tirou as cuecas, o cabelo dela brilhava como o sol. Chamava por ele como se fosse um cabrito perdido no mato. Puxava-o para ela como uma pedra de gelo voa para o copo de whisky.

Tinha as pernas tão longas e bonitas que ele lembrou-se da casa na árvore onde deram o primeiro beijo.


Não podiam amar-se. Por isso, foderam. Imagino o diálogo entre o meu amigo e a prima Benedita:
- Não podíamos ter feito isto. É proibido.
- Pois não. Não devíamos. E ainda assim, aqui estamos.
- Vieste-te dentro de mim.
- Eu sei. Estás escorregadia.
- Fode-me outra vez!

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